A pesquisa nacional da Rede JUVEM sobre a implementação do Novo Ensino Médio (NEM) está atualmente em fase de finalização do trabalho de campo e de transcrição de dados empíricos oriundos dos grupos de discussão e entrevistas narrativas. Porém, já é ´possível observar alguns resultados parciais da pesquisa, especialmente no que se refere à etapa da análise documental, que compreende a análise da legislação, pareceres e orientações estaduais e distrital acerca da implementação do NEM.
Em artigo recentemente publicado na Revista Ponto de Vista, a Dra. Nádia Falcão (UFAM), que coordena a Rede JUVEM no estado do Amazonas, junto com as orientandas Rafaela Caldas e Juliana de Castro , do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFAM, divulgaram resultados parciais da pesquisa documental no Amazonas. Trata-se da primeira publicação científica oriunda do projeto Itinerários Formativos e Projetos de Vida no Novo Ensino Médio: Processos, Propostas e Sujeitos. Intitulado “Percursos formativos no contexto da implementação do novo Ensino Médio no Amazonas: de quem é a escolha?”, o artigo analisa como a escolha dos Itinerários Formativos foi abordado nos documentos que orientaram a implementação do Novo Ensino Médio no Amazonas (NEM-AM).

As pesquisadoras escolheram três documentos específicos para análise: o Referencial Curricular Amazonense do Ensino Médio, a Proposta Curricular e Pedagógica do Ensino Médio e o Documento Orientador Implementação do Novo Ensino Médio. Através da técnica de análise de conteúdo, argumentam que apesar da reforma enfatizar a liberdade de escolha dos jovens no que se refere aos itinerários formativos, os próprios documentos orientadores condicionam tal escolha à realidade material de cada escola. De acordo com as autoras,
“As orientações para a operacionalização nas escolhas dos Itinerários Formativos, evidenciam que, por exemplo, para a escolha da Unidade Curricular de Aprofundamento (UCA) e da Unidade Curricular Eletiva Livre (UCEL), a “Equipe Gestora” deverá necessariamente considerar “o perfil docente”, “o quadro funcional de sua escola” (AMAZONAS, 2023). Ou seja, a escolha desses itinerários, além de não ser do jovem, vai depender sempre, de quais docentes, lotados na escola, precisarão completar a sua carga horária de trabalho. Pois, com a diminuição das horas aulas destinadas à formação geral, restará a esses docentes completarem a jornada de trabalho com a parte diversificada do currículo” (p. 15).
Assim, argumentam que, na prática,a escolha do itinerário formativo não é realizada pelos jovens e que a “as suposições de um ensino médio que atenda aos interesses e expectativas das diferentes juventudes no contexto amazônico não se sustentam” (p. 14).
O artigo foi publicado no dossiê especial “Novo Ensino Médio: tensões, disputas e implicações educacionais”, que conta com 35 artigos cobrindo diferentes aspectos da reforma curricular e seus impactos na educação.
